segunda-feira, 23 de maio de 2011
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Uma carta para refletir
Em janeiro de 2008, escrevi pela primeira vez sobre minha queridíssima sobrinha Ana, minha terceira "filha" que, com especialização em educação indígena, aos 23 anos, mudou-se para Roraima para trabalhar com os Yanomami. Dividiria seu tempo entre Boa Vista e a floresta, onde viveu e vive as mais ricas experiências.
Nesta semana, recebi uma carta sua e, emocionada, vou reparti-la com vocês. Não é uma carta qualquer, pois, na simplicidade de suas palavras, encontrei uma verdadeira lição de vida, de dedicação, amor e desapego. Leiam devagarzinho, com atenção, pois ela merece ser lida com a alma.
"Querida família,
Hoje está fazendo três anos que cheguei aqui. Em uma tarde fria de 28 de agosto, peguei o avião de BH para o Norte e cheguei a Boa Vista com o coração apertado e um certo medo de não saber o que me esperava, sem saber viver fora de um ambiente protegido e rodeado por gente querida. Apesar de já ter morado na Itália e na Nova Zelândia, encontrei muito apoio por lá.
Hoje, depois de ter passado muito aperto, ter aprendido muita coisa sozinha, ter os momentos de choro, de solidão e de belas surpresas, sigo tranquila, sem a ansiedade que me acompanhou por tantos anos. É como se eu tivesse encontrado mesmo meu lugar. Estou feliz fazendo o que eu faço! Encontrei aqui também a pessoa que amo e que escolhi para compartilhar a vida, como a vovó tinha previsto.
Agora, moro na beira do rio Branco, em uma casinha muito legal. Aprendi a me comunicar bem em duas línguas Yanomami, tomar atitudes com mais segurança, cozinhar no fogão e na fogueira, tirar bicho de pé, estou conhecendo o universo riquíssimo Yanomami -que, muitas vezes, é desconhecido e desvalorizado, aprendi a usar a máquina de lavar roupas e a lavar roupa no rio, comprar peixe, ouvir mais as pessoas, dormir na rede por mais de um mês, ficar sem comunicação sem me desesperar, me virar quando só tenho eu mesma para cuidar de mim.
Aprendi a andar um pouco de wind surf no rio, a dividir os espaços, a ver que a minha opinião nem sempre é a certa e que as minhas vontades não são as maiores prioridades no mundo. Estou sempre aprendendo que existem muitos mal-entendidos entre índios e brancos, aprendi a dar aulas para índios, aprendi que, se não tem carne, as pessoas se viram para tirar proteínas de onde for, aprendi que os Yanomami têm um conhecimento etnobotânico e zoológico riquíssimo. Aprendi que trabalhar de verdade e com carteira assinada é dureza! (e nada de escapar para a praia!), aprendi que existe muito mais gente malandra do que imaginava, aprendi a ter um pouco mais de autoconfiança e que, às vezes, não podemos confiar nas pessoas tanto assim. Aprendo sempre que os índios têm muito a nos ensinar e precisamos escutá-los com cuidado.
Aprendi que miçangas da República Checa são bonitas e podem ser trocadas por macaxeiras, caranguejos e deliciosos cogumelos na floresta, aprendi que não conhecemos a diversidade que existe dentro do nosso Brasil, aprendi que tem pouquíssimo interesse geral em preservar as florestas, aprendi que a casa não fica limpa sozinha e que não precisamos ser tão neuróticos com os germes que existem, que os bichinhos da floresta têm uma carne gostosa e que, às vezes, pode ser estranho comer animais criados.
Aprendi que dá para viver bem sem carro e que na vida tem muitas coisas mais importantes do que ter um armário cheio e a programação do cinema em dia.
Aprendi a fazer pão de quijo estando fora de Minas, aprendi que Roraima tem muito político sujo e paisagens lindas. Desaprendi a ter medo de andar à noite sozinha, aprendi a lidar com a saudade do cinema e dos shows, aprendi que é preciso lembrar de trancar a casa antes de dormir, que é preciso viver com delicadeza e cuidado, que é preciso cuidar de mim e das relações.
Ainda não aprendi a viver sem saudade da família, dos amigos, dos lugares e das pessoas que me fizeram ser quem eu sou, que sabem me ouvir e com quem precisamos apenas de meias palavras para nos fazer entender.
Cheguei aqui com 23 anos; hoje tenho 26.
Meu cabelo está maior, alguns fios brancos precoces, o corpo mais magro e mais sardas no nariz por culpa do sol escaldante. Sinto que tenho um corpo e uma mente mais firmes para segurar os trancos e os "esfrias e esquentas" que é a vida.
Hoje, eu não aprendi, mas apenas sinto que estou feliz depois de tanta maré brava... Mas ainda tem muitas outras para enfrentar!
Ui, chega de devaneios neste sábado vagaroso de chuva...
kua hikia!
Beijos,
Ana".
PS.: A quem interessar, escrevi duas crônicas sobre a experiência de minha sobrinha Ana entre os Yanomami que podem ser encontradas no site: www.otempo.com.br. Do lado direito da tela, localizar o item "colunas" - Laura Medioli. Ao fim da crônica que aparecerá no visor, localizar o item "outras edições". Datas de publicação: 8 de janeiro de 2008 (Ana) e 15 de setembro de 2009 (Onde a felicidade se encontra).
Nesta semana, recebi uma carta sua e, emocionada, vou reparti-la com vocês. Não é uma carta qualquer, pois, na simplicidade de suas palavras, encontrei uma verdadeira lição de vida, de dedicação, amor e desapego. Leiam devagarzinho, com atenção, pois ela merece ser lida com a alma.
"Querida família,
Hoje está fazendo três anos que cheguei aqui. Em uma tarde fria de 28 de agosto, peguei o avião de BH para o Norte e cheguei a Boa Vista com o coração apertado e um certo medo de não saber o que me esperava, sem saber viver fora de um ambiente protegido e rodeado por gente querida. Apesar de já ter morado na Itália e na Nova Zelândia, encontrei muito apoio por lá.
Hoje, depois de ter passado muito aperto, ter aprendido muita coisa sozinha, ter os momentos de choro, de solidão e de belas surpresas, sigo tranquila, sem a ansiedade que me acompanhou por tantos anos. É como se eu tivesse encontrado mesmo meu lugar. Estou feliz fazendo o que eu faço! Encontrei aqui também a pessoa que amo e que escolhi para compartilhar a vida, como a vovó tinha previsto.
Agora, moro na beira do rio Branco, em uma casinha muito legal. Aprendi a me comunicar bem em duas línguas Yanomami, tomar atitudes com mais segurança, cozinhar no fogão e na fogueira, tirar bicho de pé, estou conhecendo o universo riquíssimo Yanomami -que, muitas vezes, é desconhecido e desvalorizado, aprendi a usar a máquina de lavar roupas e a lavar roupa no rio, comprar peixe, ouvir mais as pessoas, dormir na rede por mais de um mês, ficar sem comunicação sem me desesperar, me virar quando só tenho eu mesma para cuidar de mim.
Aprendi a andar um pouco de wind surf no rio, a dividir os espaços, a ver que a minha opinião nem sempre é a certa e que as minhas vontades não são as maiores prioridades no mundo. Estou sempre aprendendo que existem muitos mal-entendidos entre índios e brancos, aprendi a dar aulas para índios, aprendi que, se não tem carne, as pessoas se viram para tirar proteínas de onde for, aprendi que os Yanomami têm um conhecimento etnobotânico e zoológico riquíssimo. Aprendi que trabalhar de verdade e com carteira assinada é dureza! (e nada de escapar para a praia!), aprendi que existe muito mais gente malandra do que imaginava, aprendi a ter um pouco mais de autoconfiança e que, às vezes, não podemos confiar nas pessoas tanto assim. Aprendo sempre que os índios têm muito a nos ensinar e precisamos escutá-los com cuidado.
Aprendi que miçangas da República Checa são bonitas e podem ser trocadas por macaxeiras, caranguejos e deliciosos cogumelos na floresta, aprendi que não conhecemos a diversidade que existe dentro do nosso Brasil, aprendi que tem pouquíssimo interesse geral em preservar as florestas, aprendi que a casa não fica limpa sozinha e que não precisamos ser tão neuróticos com os germes que existem, que os bichinhos da floresta têm uma carne gostosa e que, às vezes, pode ser estranho comer animais criados.
Aprendi que dá para viver bem sem carro e que na vida tem muitas coisas mais importantes do que ter um armário cheio e a programação do cinema em dia.
Aprendi a fazer pão de quijo estando fora de Minas, aprendi que Roraima tem muito político sujo e paisagens lindas. Desaprendi a ter medo de andar à noite sozinha, aprendi a lidar com a saudade do cinema e dos shows, aprendi que é preciso lembrar de trancar a casa antes de dormir, que é preciso viver com delicadeza e cuidado, que é preciso cuidar de mim e das relações.
Ainda não aprendi a viver sem saudade da família, dos amigos, dos lugares e das pessoas que me fizeram ser quem eu sou, que sabem me ouvir e com quem precisamos apenas de meias palavras para nos fazer entender.
Cheguei aqui com 23 anos; hoje tenho 26.
Meu cabelo está maior, alguns fios brancos precoces, o corpo mais magro e mais sardas no nariz por culpa do sol escaldante. Sinto que tenho um corpo e uma mente mais firmes para segurar os trancos e os "esfrias e esquentas" que é a vida.
Hoje, eu não aprendi, mas apenas sinto que estou feliz depois de tanta maré brava... Mas ainda tem muitas outras para enfrentar!
Ui, chega de devaneios neste sábado vagaroso de chuva...
kua hikia!
Beijos,
Ana".
PS.: A quem interessar, escrevi duas crônicas sobre a experiência de minha sobrinha Ana entre os Yanomami que podem ser encontradas no site: www.otempo.com.br. Do lado direito da tela, localizar o item "colunas" - Laura Medioli. Ao fim da crônica que aparecerá no visor, localizar o item "outras edições". Datas de publicação: 8 de janeiro de 2008 (Ana) e 15 de setembro de 2009 (Onde a felicidade se encontra).
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Xipat Oboré (Tudo de Bom!)
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Daniel Munduruku
www.danielmunduruku.com.br
www.danielmunduruku.blogspot.com
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
1º Aniversário da Academia de Letras de Lorena - ALL
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Vídeo Índio Brasil está com data marcada para 2011
Terminou no sábado (07), a 3ª Edição do Vídeo Índio Brasil (VIB) em Campo Grande (MS) e mais 111 cidades brasileiras. Foram oito dias de exibições de filmes e vídeos com temática indígena produzidos por índios e não índios, seminários, oficina de audiovisual, lançamento de livros e exposições – tudo com entrada franca. Só na Capital de Mato Grosso do Sul passaram pelo projeto 3 mil pessoas nos três pontos de exibição: CineCultura, Aldeia Urbana Marçal de Souza e Instituto Delta de Educação, entre elas, lideranças indígenas, estudantes, pesquisadores, autoridades e índios cineastas. "Alcançamos um grande público e colocamos as imagens e as questões dos indígenas para todo o país. Houve também uma grande cobertura da imprensa, o que ajudou a multiplicar a nossa mensagem", definiu o diretor geral do VIB, Nilson Rodrigues, sobre esta edição do projeto.
Para encerrar o Vídeo Índio Brasil em 2010 uma cerimônia foi realizada no CineCultura e reuniu público mais os alunos da oficina do projeto deste ano - 27 índios de MS e MT que aprenderam durante um semana técnicas de produção audiovisual. Todos receberam diploma de conclusão de curso, e também no sábado, foram exibidos seis curtas-metragens produzidos pelos alunos da oficina.
A Oca Multiétnica, construída em frente ao CineCultura para ser uma extensão da sala de cinema nos dias de Vídeo Índio Brasil, foi doada oficialmente na cerimônia de encerramento do VIB para a Associação das Mulheres Artesãs de Campo Grande, representada por sua presidente Élida Terena. A oca vai continuar sendo utilizada para difundir as culturas indígenas e será instalada na Associação, localizada na Rua Advento Divino de Almeida, 167, Bairro Jardim Noroeste.
Como último ato da cerimônia, a dança sagrada dos Guarani-Kaiowá da Aldeia Urbana Água Bonita, em Campo Grande, emocionou os presentes. Alguns até receberam a proteção do cacique da aldeia por meio de reza da autoridade indígena.
VIB 2011 - O Vídeo Índio Brasil já está com data marcada para 2011. Será aberto em todo o Brasil no Dia do Índio, 19 de abril, e seguirá com programação até o dia 24 do mesmo mês. "É notória a situação difícil dos indígenas no país e nós, enquanto produtores culturais, temos compromisso com as minorias brasileiras. O projeto, por meio do audiovisual, busca devolver a identidade aos índios e difundir as culturas destes povos para fazer do Brasil uma nação", declarou Nilson Rodrigues, diretor geral do projeto, durante a cerimônia de encerramento do VIB. "A capacidade da elite brasileira em se indignar com essas questões é pequena. Nós temos uma grande missão pela frente", emendou.
Vincent Carelli, coordenador do Vídeo nas Aldeias, projeto que completará 25 anos em 2011 e produz audiovisual nas comunidades indígenas de todo o Brasil – já são 70 vídeos, destacou a importância do Vídeo Índio Brasil como difusor dos conteúdos. "Eu fiquei perplexo com a expansão que o projeto teve nesse ano ao saber que ele estaria em mais de 100 cidades do país. É interessante que num Estado como o Mato Grosso do Sul, com clima tão adverso para os índios, nasça uma iniciativa com esse vigor", observou Carelli, vencedor do Festival de Gramado de 2009 na categoria Melhor Filme, com "Corumbiara" – também exibido no VIB. O documentarista participou do seminário "A Imagem dos Povos Indígenas no Século 21", no sábado, último dia de atividades.
Fonte: Correio do Estado
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Hoje é Dia Internacional dos Povos Indígenas
| Angop | |
| Nações Unidas defendem a promoção e protecção dos direitos dos povos indígenas do Mundo | |
Essa promoção e protecção tem como objectivo pôr fim à sua marginalização, à extrema pobreza, à expropriação das suas terras ancestrais e às outras violações graves dos direitos humanos de que tinham sido e continuam a ser alvo.
Constitui o resultado de mais de duas décadas de negociações e proporciona uma oportunidade vital para que os Estados e os povos indígenas reforcem as suas relações, promovam a reconciliação e velem para que os erros do passado não se repitam.
Por ocasião da data, as Nações Unidas reconhecem as realizações das populações indígenas do mundo, que ascendem a mais de 370 milhões de pessoas e estão espalhadas por cerca de 70 países.
As populações indígenas do mundo preservaram uma vasta quantidade da história cultural da humanidade. Os povos indígenas falam a maioria das línguas mundiais. Herdaram e passaram adiante um rico conhecimento, formas artísticas e tradições religiosas e culturais.
Ela destacou que o Dia Internacional dos Povos Indígenas também é uma ocasião para lembrar que “não há espaço para a complacência. As constantes violações dos direitos dos povos indígenas, em todas as regiões do mundo, merecem nossa atenção e acção máximas”.
A data foi declarada pela Assembleia Geral da ONU para ser comemorada todos os anos durante a Primeira Década Internacional dos Povos Indígenas do Mundo (1995-2004). Em 2004, a Assembleia proclamou a Segunda Década Internacional, 2005-2015, com o tema “Uma Década de Acção e Dignidade”.
Fonte: Angola Press
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Fundac promove 2ª Feira Cultural Indígena no fim de semana
| Da Redação |
| Nos dias 6 e 7 de agosto (sexta-feira e sábado) a Fundação Municipal de Cultura promoverá a segunda edição da Feira Cultural Indígena na Praça Ari Coelho. O evento acontece entre as 8 horas e as 17 horas na sexta feira e entre às 8h e às 15 horas no sábado e é aberto ao público com entrada gratuita. Aqueles que visitarem a Praça Ari Coelho terão a oportunidade de assistirem a apresentação de danças, degustarem comidas típicas e de adquirirem ervas medicinais e artesanato indígena. A feira tem como objetivo principal valorizar a cultura indígena e mostrar o trabalho daqueles artesãos que muitas vezes não tem espaço para expor suas obras. Para abrilhantar a feira as bandas Estilo Terena e Nação Nativa farão apresentações abertas a todo o público durante o evento. Serão cerca de oito artesãos de quatro etnias diferentes: kadwéu, kinikinau, terena e guarani kaiuá expondo materiais feitos em cerâmica, cestas, colares e algumas comidas típicas desses povos como pamonha e bolo de mandioca. Entre os participantes estarão indígenas de Campo Grande e Miranda. "É a oportunidade da comunidade campo grandense se sentir mais próxima da cultura indígena, tão presente em nosso município. São trabalhos belíssimos que poderão ser apreciados e inclusive adquiridos pelos que por lá passarem", acredita Roberto Figueiredo, diretor presidente da Fundac. |
Aldeia urbana recebe exibições do Vídeo Índio Brasil 2010
Por meio do audiovisual os indígenas da Marçal de Souza conhecem mais sobre culturas de outras comunidades com índios no país
A 3ª Edição do Vídeo Índio Brasil (VIB) também vai até as comunidades indígenas. São várias as aldeias no país que vem recebendo as sessões de exibição do projeto, como a Marçal de Souza, localizada no perímetro urbano de Campo Grande (MS), cidade sede do VIB.
Entre as produções exibidas, animações para as crianças e documentários para os jovens. “O mais impressionante para eles foi comprovar que de fato existem vários povos indígenas. Principalmente as crianças que muitas vezes pensam só existir índios que são das aldeias deles”, resumiu sobre a experiência, Itamar Jorge Pereira, professor da Escola Municipal Sulivan Silvestre Oliveira “Tumune Kalivono” (Criança do Futuro) que exibe a programação na aldeia urbana.
As várias línguas faladas pelos índios também chamou a atenção dos jovens estudantes, segundo o professor. “A gente está acostumado a ver o índio de um jeito diferente na TV, como se fosse sempre bicho do mato. Mas nos documentários que foram exibidos até agora no Vídeo Índio é possível identificar as culturas, o modo de viver das comunidades, em várias regiões do Brasil”, comparou o professor, que é Terena.
De acordo com a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura existem hoje no Brasil 270 etnias mapeadas e a estimativa é de que há mais 50 povos não contatados. Ao todo, eles falam 180 línguas diferentes.
São duas sessões diárias até sábado (dia 07/08) na aldeia Marçal de Souza, apenas para os alunos da Escola Sulivan Silvestre Oliveira. Para o público, em geral, na cidade Campo Grande o Vídeo Índio Brasil acontece no CineCultura (Pátio Avenida na Afonso Pena, 5.420), também até sábado, com a realização do Seminário “A imagem dos povos indígenas no século 21”, às 14h30min e exibição de filmes às 17h30min e às 19h30min. Toda programação tem entrada franca.
A 3ª Edição do Vídeo Índio Brasil (VIB) também vai até as comunidades indígenas. São várias as aldeias no país que vem recebendo as sessões de exibição do projeto, como a Marçal de Souza, localizada no perímetro urbano de Campo Grande (MS), cidade sede do VIB.
Entre as produções exibidas, animações para as crianças e documentários para os jovens. “O mais impressionante para eles foi comprovar que de fato existem vários povos indígenas. Principalmente as crianças que muitas vezes pensam só existir índios que são das aldeias deles”, resumiu sobre a experiência, Itamar Jorge Pereira, professor da Escola Municipal Sulivan Silvestre Oliveira “Tumune Kalivono” (Criança do Futuro) que exibe a programação na aldeia urbana.
As várias línguas faladas pelos índios também chamou a atenção dos jovens estudantes, segundo o professor. “A gente está acostumado a ver o índio de um jeito diferente na TV, como se fosse sempre bicho do mato. Mas nos documentários que foram exibidos até agora no Vídeo Índio é possível identificar as culturas, o modo de viver das comunidades, em várias regiões do Brasil”, comparou o professor, que é Terena.
De acordo com a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura existem hoje no Brasil 270 etnias mapeadas e a estimativa é de que há mais 50 povos não contatados. Ao todo, eles falam 180 línguas diferentes.
São duas sessões diárias até sábado (dia 07/08) na aldeia Marçal de Souza, apenas para os alunos da Escola Sulivan Silvestre Oliveira. Para o público, em geral, na cidade Campo Grande o Vídeo Índio Brasil acontece no CineCultura (Pátio Avenida na Afonso Pena, 5.420), também até sábado, com a realização do Seminário “A imagem dos povos indígenas no século 21”, às 14h30min e exibição de filmes às 17h30min e às 19h30min. Toda programação tem entrada franca.
Fonte: MS Notícias
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Inscrição para curso na OEA vai até o mes de setembro de 2010. - Participem parentes(as),
O Programa de Ação do Departamento de Direito Internacional sobre os Povos Indígenas das Américas da Organização dos Estados Americanos (OEA) convoca todos os interessados a participar da seleção para os cursos de “Taller de marco lógico para la elaboración de proyectos" e "Taller sobre la Participación Política de la Mujer Indígena".
O curso, que destina-se primordialmente a mulheres líderes indígenas, funcionários do Governo e organizações indigenistas, será realizado no período de 16 a 23 de novembro de 2010, em Quito/Equador. Os participantes receberão uma bolsa de estudo contendo; passagens aéreas, hospedagem, alimentação, certificado de participação e de aprovação.
As inscrições deverão ser feitas até o dia 15 de setembro de 2010 através do link http://www.oas.org/dil/esp/cursos_seminarios.htm.
Para mais informações entre em contato com Sra. Loyda Romay pelo e-mail lromay@oas.org.
Mirian Terena
MITOS NA TERRA VERMELHA
Por Daniel Munduruku
Há alguns dias atrás Tania e eu estivemos na aldeia Guarani Krukutu em São Paulo. Saímos bem cedo de Lorena a fim de encontrar uns amigos para um bate papo muito interessante sobre literatura, mitologia e cinema.
Esta aldeia fica localizada no extremo sul de São Paulo às margens da represa Billings. Ali estão localizadas duas aldeias Guarani que buscam sobreviver apesar das transformações urbanísticas e as invasões que foram acontecendo ao longo do tempo “encurralando” seus moradores mais antigos para áreas de terras muito pequenas.
Na aldeia Tenondé Porã, mais próxima de Parelheiros, moram cerca de 900 pessoas espremidas em 26 hectares de terra. Seus moradores são oriundos de diferentes lugares e trazem na bagagem, além da história de lutas pela sobrevivência, rica espiritualidade, rituais ancestrais e uma valente teimosia em permanecerem vivos salvaguardando o uso de sua língua tradicional. Nem mesmo a proximidade com o centro urbano e dependência econômica com relação à cidade tem tirado o firme propósito dessa gente em manter sua identidade ancestral.
Eu já os conheço há 20 anos. Frequento o local desde que cheguei a São Paulo e com eles desenvolvi alguns projetos e tive a felicidade de participar de lindos rituais ancestrais e também de presenciar verdadeiros milagres do cotidiano.
Foi neste lugar que decidimos organizar uma conversa sobre literatura, cinema, mitologia. A ideia partiu de minha amiga Heloisa Prieto, escritora renomada e grande parceira de projetos literários e da vida. Aceitei logo de cara. Imediatamente fizemos contato com o escritor indígena Olívio Jekupé, morador da aldeia e presidente da Associação Guarani Nhe´ê Porã. Logo aceitou. Aí partimos para o ataque sobre quem convidar para falar sobre os temas em questão. Vimos logo que tínhamos as pessoas certas quando nos deparamos com o Marcos Martinho dos Santos, um dos maiores especialistas em letras clássicas do mundo. Ele é professor na USP e na Sorbonne e viaja pelo mundo falando sobre o tema. Também ele se dispôs a nos acompanhar aceitando falar sobre a metodologia de compilação dos mitos realizada pelos gregos clássicos. Não era uma fala acadêmica, mas informativa. Nosso desejo era que os indígenas pudessem compreender como é importante e necessária a organização de acervos para posteriores consultas e registros. E isso ele fez com a competência dos homens simples. Fez isso narrando mitos clássicos de forma vívida embriagando os presentes com o desejo de narrar seus próprios mitos, criando uma atmosfera de partilha, de envolvimento, de totalidade. Ali, os mitos foram definidos como um grande quebra cabeças simbólicos só possíveis de serem compreendidos em sua totalidade quando se alcança a maturidade humana e
cósmica.
Para falar de cinema convidamos o roteirista e cineasta Luiz Bolognesi. Entre outros trabalhos escreveu o roteiro do filme Terra Vermelha (filme que fez e faz mais sucesso no exterior que aqui). O filme conta os motivos que levam os jovens guaranis de Dourados ao suicídio. Naquela região do Mato Grosso do Sul se concentra o maior índice per capita de suicídio no mundo. Este leitmotiv foi a mola propulsora que fez o diretor italiano Marco Bechis a montar o projeto que culminou num lindo trabalho cinematográfico.
Coube ao jovem e talentoso roteirista nos contar como se deu o trabalho com a comunidade Kaiowá, Guaranis daquela região. Para nossa surpresa nos falou que o roteiro foi construído com os próprios atores que eram todos do local (com exceção dos papéis que cabiam a atores não indígenas, obviamente) e que houve improvisações surpreendentes e por conta disso ele tinha que reescrever o roteiro vezes sem conta.
Ainda nos deparamos com gratas surpresas de ver crianças participando com muita atenção desta que seria uma “conversa de adulto”. Tania a tudo registrava, seja pela lente de sua memória, sua atenção e sua participação ou pela lente de sua câmera que captou momentos muito mágicos deste lindo dia de aprendizado e alegria, como o rosto atento do pequeno curumim que se dividia entre assistir ao filme e ler um livro que carregava para todos os lugares onde fosse.
O sol já se punha quando nos despedimos de nossos anfitriões que não escondiam a satisfação de ter-nos recebido e partilhado conosco a alegria de serem filhos desta Terra Vermelha.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
VIII etapa do Haiyô começa dia 2 de agosto
Da Redação
Na próxima segunda-feira (02.08) começa a VIII etapa presencial do Projeto Haiyô, com duração de cinco semanas, em cinco polos do Estado, reunindo um total de 298 alunos. O Haiyô, formação de professores indígenas para o magistério intercultural, está inserido na política de formação e de respeito aos povos indígenas implementada em Mato Grosso, de forma pioneira, ao longo dos últimos anos.
Em agosto o Haiyô estará nos polos de Sangradouro município de General Carneiro (Escola Estadual Indígena São Jose do Sangradouro), Juína (Escola Estadual “Antônio Francisco Lisboa”), Campinápolis (Escola Estadual Indígena Rai’Rãte) e Médio Xingu (Escola Estadual Indígena “Ikpeng”). De 1 a 30 setembro será a vez do Alto Xingu (Escola Estadual Indígena “Leonardo Villas Boas”).
Ao todo participam 31 etnias, entre Arara, Cinta Larga, Zoró, Tapirapé, Karajá, Myky, Guató, Chiquitano, Kayabi, Paresi, Irantxe, Munduruku, Apiaká, Rikbaktsa, Xavante, Bororo, Nambikwara, Kuikuro, Kalapalo, Nafukua, Matipu,Meinako, Waura, Kamaiurá, Yawalapiti, Awiti, Ikipeng, Trumai, Suiá, Matipu e Trumai.
O projeto inserido no Estado de Mato Grosso desponta no Brasil e no mundo por ser essencialmente marcado pela diversidade étnica e cultural. É um Estado multiétnico e multilingue, sendo o segundo em número de povos indígenas no país. São 42 povos e uma população de 35.000 índios; 33 línguas distintas pertencentes aos troncos lingüísticos Macro-jê,Tupi, Aruak e Karib, além de povos de línguas isoladas.
Dos 141 municípios estaduais, 45 incluem terras indígenas. Os Povos que vivem em Mato Grosso tornam o Estado peculiar em riquezas de culturas, línguas, costumes, tradições, valores, conhecimentos e organização social. Diante desta realidade, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) acredita ser imprescindível a implantação do programa de formação de professores para o magistério intercultural. “Por meio dele se consolida uma educação escolar que contribua para a efetivação dos direitos educacionais dos povos indígenas e para a oferta de ensino de qualidade nas comunidades indígenas”, destaca a coordenadora do projeto, Letícia Antonia de Queiroz.
O curso específico para a Formação de Professores indígenas em Mato Grosso é referência para iniciativas em outros Estados brasileiros. A proposta do Haiyô é habilitar para a docência da Educação Infantil, 1º e 2º ciclos, professores indígenas, beneficiando assim mais de 9.500 alunos nas escolas das aldeias, que já atuam em sala de aula. Haiyô é uma palavra afirmativa de origem Nambikwara que significa “bom”, “muito bom”, “quero aprender” , informa o professor nambikwara, Mané Manduca. (com coordenação indígena).
Fonte: O Documento
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Escolas indígenas são as piores nas avaliações do governo
No meio da floresta amazônica, no município de Santo Antonio do Içá está a Dom Pedro I, com nota 249 no Enem. Para se ter uma dimensão da diferença com outros centros educacionais, a segunda pior nota do país foi 307, de um colégio do Mato Grosso. O melhor colégio do Brasil foi o Vértice, instituição privada em São Paulo cuja nota chegou a 749 pontos.
Na zona norte da capital paulista, em plena zona urbana, a Djekupe Amba Arandy ficou classificada como a pior instituição de ensino fundamental de 1ª a 4ª série do Estado, segundo o Ideb. A nota do colégio foi 2,5 em uma escala de zero a dez. Na lanterna do ranking também está a Guarani Gwyra Pepo, com 3,3 pontos. A primeira colocada entre as públicas fica na cidade de Cajuru, e tirou nota 9,0.
Sem comparação
Rossieli Silva, diretor do departamento de planejamento da secretaria estadual de educação do Amazonas, diz que não é possível comparar o rendimento das escolas porque, apesar de indígenas, elas não têm o mesmo estilo. Ele explica que, para ser classificado como indígena, basta denominar-se assim no Censo Escolar (compilação de dados feita pelo MEC).
- Não posso fazer comparação com uma escola de São Paulo que se diz indígena. Essa comparação não serve. Existem escolas que informam erroneamente.
Além disso, Silva não concorda com a prova do Enem como base de comparação. Ele diz que o Enem avalia o aluno, e não a escola, e que os índios têm outro tipo de conhecimento que não o exigido na prova.
- Estamos levando educação para um lugar novo, mas sempre respeitando a cultura indígena.
São Paulo
Em São Paulo há 53 escolas indígenas, de acordo com o censo escolar 2009. No entanto, Jatiaci Fernandes, diretora da Djekupe, disse que somente essas duas participaram da avaliação.
Ela diz não entender o péssimo resultado de seus alunos. Mesmo assim, houve um progresso no ensino fundamental entre 2008 e 2009, “estão esperávamos uma boa nota”, afirma a diretora.
Governo
A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo diz não reconhecer os indicadores e que “não é possível a participação dessas escolas em avaliações que não têm indicadores próprios para que seja revelada a identidade e qualidade da escola indígena que é uma escola intercultural e bilíngue, diferente de todas as escolas da rede pública”.
Ainda segundo a secretaria, as escolas estaduais indígenas paulistas não farão mais a prova do Ideb, do Enem e do Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado e São Paulo), “pois o currículo da escola indígena é diferente da escola não indígena”.
sábado, 24 de julho de 2010
A FOME DE MARINA
Por José Ribamar Bessa Freire*
Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.
Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.
Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana.
Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.
Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados.
De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política.
A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio.“Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!”.
Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.
A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?
O mapa da fome
A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.
A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.
Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.
Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.
A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever.
Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.
Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT.
Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco , quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.
Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal.
Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.
Tudo vira bosta
Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta”.
Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta”.
Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.
Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando: “Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem… e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você”.
A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.
Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?
Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”.
O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil…
Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.
Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.
(*) Professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ)e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Wiranu Tembé é nova indiazinha em 'Tainá 3 - A Origem'
AE - Agência Estado
A saga da produção do filme "Tainá 3 - A Origem" para encontrar a nova atriz que daria vida à indiazinha defensora da natureza no novo filme da série é tão peculiar que acaba soando como clichê de filmes de aventura. Depois de passar quase dois anos realizando testes em vários Estados do Brasil para encontrar a menina que substituiria Eunice Baia, a ''primeira Tainá'', que hoje tem 20 anos, o produtor Claudio Barros e seu assistente Milton Boulhosa descobriram a pequena Wiranu Tembé durante os Jogos Indígenas 2009.
Realizados em outubro na cidade paraense de Paragominas, a cerca de 300 quilômetros da capital, Belém, os jogos reuniram tribos de todo o Brasil em competições de pesca, danças e outros rituais indígenas. "Já havíamos testado de atrizes mirins a meninas que nunca tinham visto TV. E nada. Até que um dia fomos aos Jogos e, durante o evento, avistamos uma menininha, agarrada à saia da mãe, quase sendo arrastada de tão pequena. Ela parecia muito menor que a Tainá do roteiro, que tinha 8 anos. Mas a figura da Wiranu nos chamou tanto a atenção que resolvemos pedir autorização à Funai (Fundação Nacional do Índio) para falar com sua família", contou Claudio Barros após uma jornada de filmagens de "Tainá 3" em Alter do Chão, onde há três semanas cerca de 100 pessoas trabalham nas filmagens do longa.
Barros teve de pedir autorização à Funai porque, durante o evento, cada tribo tem seu espaço e, em geral, o acesso é controlado. "Tínhamos só a foto dela. E precisávamos saber mais. Conseguimos autorização, falamos com o pai dela e o convencemos a autorizar que ela fizesse um teste. Ela foi tão bem que se tornou uma das 12 finalistas do processo de seleção", relembra.
Wiranu era perfeita para o papel. Corajosa e esperta como Tainá, tinha tudo para ser a nova estrela mirim. Único detalhe: ela não falava português. Mas Claudio tinha certeza que ela poderia dar conta do recado. E deu. Apesar do ''detalhe'' e de ser menor que a heroína do roteiro, Wiranu foi tão bem nos testes que, após um mês de exercícios de atuação, não deixou dúvidas: "Tanto eu quanto a Rosana (Svartman, diretora do filme) sabíamos que ela era a nova Tainá."
Nome aprovado, produtores convencidos, era a hora de adaptar a história para uma garotinha menor. Enquanto a roteirista Cláudia Levay trabalhava, Wiranu continuava sua rotina na aldeia Tekohaw, a 12 horas de barco de Paragominas. Meses depois do treinamento, Barros foi visitar a menina. No reencontro, perguntou: "Você estava com saudade?". A menina, com 5 anos recém completados e um português incipiente, respondeu: "Não." Claudio estranhou a resposta, mas aceitou a sinceridade infantil. Passado algum tempo, Wiranu disse a Claudio: "Tio, pensei muito em você e no tio Milton." Foi então que o produtor entendeu. Wiranu tinha saudade. "Ela só não sabia dar nome ao sentimento em português." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Brasileiro nativo, índio por apelido, bugres JAMAIS!
Wilson Matos da Silva*
Nas palavras do presidente da Federação Indígena Brasileira (FIB), Alfredo Wapixana: "Nascer índio no Brasil é adquirir como certidão de batismo, a pecha de bugre e indolente, é mais um a aumentar a fileira dos que só querem ter direitos e não deveres é empecilho (estorvar embaraçar) ao progresso da "civilização". É assim que a sociedade percebe os povos indígenas".
O espírito de um capitalismo saqueador e aventureiro do colonizador português confrontou-se com as idéias e vivências das nossas tribos indígenas em relação ao trabalho e ao que disto decorre, o que significou um abismo cultural. Essa percepção errônea se traduz em reações sistemáticas de discriminação em todos os aspectos, condenando-nos assim, ao ostracismo e ao degredo coletivo.
Sobre o termo "BUGRE" leciono: A origem da palavra vem do francês bougre, que de acordo com o dicionário Houaiss possui o primeiro registro no ano de 1172 e significa ‘herético’, que por sua vez vem do latim medieval (século VI) bulgàrus. Como membros da igreja greco-ortodoxa, os búlgaros foram considerados heréticos, e o emprego do vocábulo para denotar a pessoa indígena liga-se à idéia de ‘inculto, selvático, não cristão’ - uma noção de forte valor pejorativo.
O termo bugre originou-se num movimento herético, na Europa, durante a Idade Média, representando uma força contrária aos preceitos ditados pela ortodoxia da Igreja. Surgiu no século IX, na Bulgária, tendo sido batizado como bogomilismo, inspirado no nome do padre Bogomil, considerado fundador da seita herética.
O ‘bugre’ vai reaparecendo na lembrança do europeu, com uma identidade já construída, acompanhando a idéia da infidelidade moral, porém com novos elementos, próprios da nova situação. Os bugres surgiram de uma sociedade muito fechada e de fundamentação radicalmente religiosa. Não parece verossímil uma história tão complexa e antiga para um personagem alcunhado e tratado, hoje, em diversas cidades do Brasil, como "João-Ninguém".
Fica claro que o termo é pejorativo, para identificar aqueles que apresentam alguns traços físicos específicos - "cabelo de flecha, liso, escorrido"; "olho rasgado, nariz meio achatado"; "escuro sem ser negro" - que estão associados a aspectos culturais, sociais, psíquicos e econômicos também específicos: "o bugre é rústico, atrasado"; "o bugre verdadeiro é do mato, aquele que está escondido, mais agressivo e arredio"; "o bugre que está na cidade é mais dócil, pode ser trabalhador, mas é traiçoeiro".
No MS, a presença recente dos migrantes (paulistas, mineiros, paranaenses, gaúchos, desde a década de 70, principalmente) despertou um sentimento de fragilidade perante os valores tradicionais autoritários. Esta insegurança, este medo, esta angústia manifestam-se, dentre outras formas, na retomada do preconceito contra o índio, que figura como bugre/bode expiatório para tudo o que é tido como negativo, indesejável e condenável.
O termo tem significado de herege e sodomita desqualificação absoluta; as significações de infiel e traiçoeiro somadas às modernas práticas econômicas e políticas da modernidade, encontram-se os pares preguiçoso-vagabundo e estrangeiro-inteiramente outro. Daí deriva uma matriz biológica - deficiente-incapaz e violento-desordeiro - também presentes no imaginário sobre o bugre na sociedade brasileira.
O bugre não será visto como o modelo de homem do novo tempo; muito pelo contrário, existe uma imagem central negativa, de acusação, sobre o indígena quando somos tratados como bugres. Qual o porquê de a sociedade ter a necessidade de construir imagens negativas sobre nós os índios? Quais as conseqüências que estas imagens trazem para a vida cotidiana de uma sociedade?
Como dito, nós os índios não somos coitadinhos; Se tem alguém forasteiro neste solo, não somos nós os índios! Nossos povos são nativos deste chão. Só queremos respeito com a nossa dignidade! E, NÃO, MIL VEZES NÃO! Não somo bugres!!!
*É índio, advogado e jornalista, coordenador regional do Observatório Nacional de Direitos indígenas (ODIN), Presidente da Comissão de Assuntos Indígenas da OAB 4ª Subseção Dourados matosadv@yahoo.com.br
Nas palavras do presidente da Federação Indígena Brasileira (FIB), Alfredo Wapixana: "Nascer índio no Brasil é adquirir como certidão de batismo, a pecha de bugre e indolente, é mais um a aumentar a fileira dos que só querem ter direitos e não deveres é empecilho (estorvar embaraçar) ao progresso da "civilização". É assim que a sociedade percebe os povos indígenas".
O espírito de um capitalismo saqueador e aventureiro do colonizador português confrontou-se com as idéias e vivências das nossas tribos indígenas em relação ao trabalho e ao que disto decorre, o que significou um abismo cultural. Essa percepção errônea se traduz em reações sistemáticas de discriminação em todos os aspectos, condenando-nos assim, ao ostracismo e ao degredo coletivo.
Sobre o termo "BUGRE" leciono: A origem da palavra vem do francês bougre, que de acordo com o dicionário Houaiss possui o primeiro registro no ano de 1172 e significa ‘herético’, que por sua vez vem do latim medieval (século VI) bulgàrus. Como membros da igreja greco-ortodoxa, os búlgaros foram considerados heréticos, e o emprego do vocábulo para denotar a pessoa indígena liga-se à idéia de ‘inculto, selvático, não cristão’ - uma noção de forte valor pejorativo.
O termo bugre originou-se num movimento herético, na Europa, durante a Idade Média, representando uma força contrária aos preceitos ditados pela ortodoxia da Igreja. Surgiu no século IX, na Bulgária, tendo sido batizado como bogomilismo, inspirado no nome do padre Bogomil, considerado fundador da seita herética.
O ‘bugre’ vai reaparecendo na lembrança do europeu, com uma identidade já construída, acompanhando a idéia da infidelidade moral, porém com novos elementos, próprios da nova situação. Os bugres surgiram de uma sociedade muito fechada e de fundamentação radicalmente religiosa. Não parece verossímil uma história tão complexa e antiga para um personagem alcunhado e tratado, hoje, em diversas cidades do Brasil, como "João-Ninguém".
Fica claro que o termo é pejorativo, para identificar aqueles que apresentam alguns traços físicos específicos - "cabelo de flecha, liso, escorrido"; "olho rasgado, nariz meio achatado"; "escuro sem ser negro" - que estão associados a aspectos culturais, sociais, psíquicos e econômicos também específicos: "o bugre é rústico, atrasado"; "o bugre verdadeiro é do mato, aquele que está escondido, mais agressivo e arredio"; "o bugre que está na cidade é mais dócil, pode ser trabalhador, mas é traiçoeiro".
No MS, a presença recente dos migrantes (paulistas, mineiros, paranaenses, gaúchos, desde a década de 70, principalmente) despertou um sentimento de fragilidade perante os valores tradicionais autoritários. Esta insegurança, este medo, esta angústia manifestam-se, dentre outras formas, na retomada do preconceito contra o índio, que figura como bugre/bode expiatório para tudo o que é tido como negativo, indesejável e condenável.
O termo tem significado de herege e sodomita desqualificação absoluta; as significações de infiel e traiçoeiro somadas às modernas práticas econômicas e políticas da modernidade, encontram-se os pares preguiçoso-vagabundo e estrangeiro-inteiramente outro. Daí deriva uma matriz biológica - deficiente-incapaz e violento-desordeiro - também presentes no imaginário sobre o bugre na sociedade brasileira.
O bugre não será visto como o modelo de homem do novo tempo; muito pelo contrário, existe uma imagem central negativa, de acusação, sobre o indígena quando somos tratados como bugres. Qual o porquê de a sociedade ter a necessidade de construir imagens negativas sobre nós os índios? Quais as conseqüências que estas imagens trazem para a vida cotidiana de uma sociedade?
Como dito, nós os índios não somos coitadinhos; Se tem alguém forasteiro neste solo, não somos nós os índios! Nossos povos são nativos deste chão. Só queremos respeito com a nossa dignidade! E, NÃO, MIL VEZES NÃO! Não somo bugres!!!
*É índio, advogado e jornalista, coordenador regional do Observatório Nacional de Direitos indígenas (ODIN), Presidente da Comissão de Assuntos Indígenas da OAB 4ª Subseção Dourados matosadv@yahoo.com.br
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Chapada dos Veadeiros recebe encontro indígena
Agência Brasil
Publicação: 18/07/2010 19:25
Pela décima vez, o povoado de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros (GO) recebe representantes de etnias indígenas de todo o país para dividir experiências e apresentar seus rituais, danças, língua e costumes. O intercâmbio ocorre durante o 10° Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, que começou neste fim de semana e vai até o dia 31 de julho.
De acordo com a organização, o festival vai reunir indígenas das etnias Kayapó, Krahô, Yawalapiti, Fulni-ô, Kiriri, Dessana, Guarani-Kaiowá, Kaxinawá e Paresí. Durante o encontro, os índios convivem na chamada Aldeia Multiétnica.
Além dos indígenas, a comunidade quilombola Kalunga, que vive em São Jorge, também deverá mostrar suas tradições durante o encontro. Na programação, estão previstas apresentações de congadas, tambores de crioula, curraleiras e batuques. A agenda também inclui mostras de vídeos indígenas e exposições fotográficas.
www.encontrodeculturas.com.br
Publicação: 18/07/2010 19:25
Pela décima vez, o povoado de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros (GO) recebe representantes de etnias indígenas de todo o país para dividir experiências e apresentar seus rituais, danças, língua e costumes. O intercâmbio ocorre durante o 10° Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, que começou neste fim de semana e vai até o dia 31 de julho.
De acordo com a organização, o festival vai reunir indígenas das etnias Kayapó, Krahô, Yawalapiti, Fulni-ô, Kiriri, Dessana, Guarani-Kaiowá, Kaxinawá e Paresí. Durante o encontro, os índios convivem na chamada Aldeia Multiétnica.
Além dos indígenas, a comunidade quilombola Kalunga, que vive em São Jorge, também deverá mostrar suas tradições durante o encontro. Na programação, estão previstas apresentações de congadas, tambores de crioula, curraleiras e batuques. A agenda também inclui mostras de vídeos indígenas e exposições fotográficas.
www.encontrodeculturas.com.br
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Alunos de escola estadual documentam a vida dos Karitiana
Quatorze alunos da Escola Estadual Rio Branco documentam a vida dos indígenas Karitiana. Com celulares nas mãos os estudantes registraram as reações da comunidade Karitiana assistindo a uma partida da seleção brasileira na Copa do Mundo. O resultado destas filmagens se tornou um documentário que deve ser apresentado em Mostra Cultural promovida pelo projeto “Telinha na Escola”, em agosto.
Durante a atividade, os alunos puderam registrar o dia a dia dos índios Karitianas. Os depoimentos foram gravados em forma de entrevistas. A aldeia tem aproximadamente 400 habitantes que contam com um posto de saúde, energia elétrica e até telefone público. A escola ainda está em construção.
Umas das personagens do documentário, a indígena Aline Karitiana, revelou sua preferência por um dos jogadores mais famosos da seleção brasileira. “Gosto muito do Kaká porque ele é bonito e joga bem", disse a índia bem humorada. “A torcida é tão vibrante pelo Brasil quanto em qualquer parte de país”, disse a professora da escola Rio Branco, Ana Claudia Ribeiro, que ajudou nas filmagens.
Já o professor de geografia, Magno Martins, disse que a oportunidade de integração foi única. “A idéia de levar a turma do Telinha na Escola para a Aldeia dos Karitiana surgiu com o objetivo de promover a integração cultural em torno de um ponto comum, o patriotismo e o futebol, que unem nações em época de Copa e Olimpíadas, destacou Magno.
O projeto da Ong Casa da Árvore, Instituto Vivo e da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) tem objetivo de incentivar o uso de novas tecnologias em sala de aula, utilizando o celular como instrumento pedagógico, acessório que antes tirava o sossego de professores e distraia a atenção dos alunos, e que agora se tornou aliado do ensino. A cada semestre, duas novas turmas são abertas com 20 vagas cada. Em Porto Velho, o projeto também acontece nas escolas estaduais Flora Calheiros, Oswaldo Piana e Petrônio Barcelos, envolvendo 12 professores de diversas disciplinas e 40 jovens estudantes.
Ana Claudia disse ainda que a experiência foi ímpar. “Compartilhar desta oportunidade com os meninos, ver a capacidade que cada um tem de criar, de buscar a perfeição na imagem, nos textos, na edição final, foi sem dúvida um aprendizado muito precioso para todos nós” enfatizou a professora.
Fonte: Decom
Autor: Decom
Durante a atividade, os alunos puderam registrar o dia a dia dos índios Karitianas. Os depoimentos foram gravados em forma de entrevistas. A aldeia tem aproximadamente 400 habitantes que contam com um posto de saúde, energia elétrica e até telefone público. A escola ainda está em construção.
Umas das personagens do documentário, a indígena Aline Karitiana, revelou sua preferência por um dos jogadores mais famosos da seleção brasileira. “Gosto muito do Kaká porque ele é bonito e joga bem", disse a índia bem humorada. “A torcida é tão vibrante pelo Brasil quanto em qualquer parte de país”, disse a professora da escola Rio Branco, Ana Claudia Ribeiro, que ajudou nas filmagens.
Já o professor de geografia, Magno Martins, disse que a oportunidade de integração foi única. “A idéia de levar a turma do Telinha na Escola para a Aldeia dos Karitiana surgiu com o objetivo de promover a integração cultural em torno de um ponto comum, o patriotismo e o futebol, que unem nações em época de Copa e Olimpíadas, destacou Magno.
O projeto da Ong Casa da Árvore, Instituto Vivo e da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) tem objetivo de incentivar o uso de novas tecnologias em sala de aula, utilizando o celular como instrumento pedagógico, acessório que antes tirava o sossego de professores e distraia a atenção dos alunos, e que agora se tornou aliado do ensino. A cada semestre, duas novas turmas são abertas com 20 vagas cada. Em Porto Velho, o projeto também acontece nas escolas estaduais Flora Calheiros, Oswaldo Piana e Petrônio Barcelos, envolvendo 12 professores de diversas disciplinas e 40 jovens estudantes.
Ana Claudia disse ainda que a experiência foi ímpar. “Compartilhar desta oportunidade com os meninos, ver a capacidade que cada um tem de criar, de buscar a perfeição na imagem, nos textos, na edição final, foi sem dúvida um aprendizado muito precioso para todos nós” enfatizou a professora.
Fonte: Decom
Autor: Decom
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Justiça mantém estudos antropológicos em 26 municípios de MS
A Justiça Federal concordou com os argumentos do Ministério Público Federal (MPF) e julgou improcedentes os pedidos de cinco municípios de Mato Grosso do Sul, que queriam a decretação de nulidade do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o MPF e a Fundação Nacional do Índio (Funai), em novembro de 2007.
O documento determina a realização de estudos antropológicos em 26 municípios da região sul do estado, para posterior demarcação de territórios de tradicional ocupação indígena. Também era pedida a suspensão das portarias de criação dos grupos técnicos que fariam os estudos.
A ação declaratória foi ajuizada pelos municípios de Tacuru, Sete Quedas, Naviraí, Iguatemi e Juti, sob os argumentos de que deveriam ter participação ativa no TAC - já que seriam atingidos pela eventual demarcação de terras indígenas - e que não havia sido respeitado o direito à ampla defesa.
Para o MPF, os estudos e o próprio TAC não podem ser anulados, pois derivam da Constituição Federal, que determinou, em 1988, que as demarcações de terras indígenas deveriam ser realizadas em até cinco anos, em todo o país.
A Justiça considerou este argumento e acrescentou que o direito à ampla defesa de todos os interessados na questão (estado, municípios e terceiros) não foi desrespeitado. “O processo de demarcação, desde o seu início, pode e deve ser acompanhado por todos os interessados, não havendo prazo estabelecido para tal oportunidade (...). O autor não trouxe provas da violação a essa oportunidade ou direito. (...)Assim, não há falar em descumprimento do contraditório e da ampla defesa”.
Aquidauana News
O documento determina a realização de estudos antropológicos em 26 municípios da região sul do estado, para posterior demarcação de territórios de tradicional ocupação indígena. Também era pedida a suspensão das portarias de criação dos grupos técnicos que fariam os estudos.
A ação declaratória foi ajuizada pelos municípios de Tacuru, Sete Quedas, Naviraí, Iguatemi e Juti, sob os argumentos de que deveriam ter participação ativa no TAC - já que seriam atingidos pela eventual demarcação de terras indígenas - e que não havia sido respeitado o direito à ampla defesa.
Para o MPF, os estudos e o próprio TAC não podem ser anulados, pois derivam da Constituição Federal, que determinou, em 1988, que as demarcações de terras indígenas deveriam ser realizadas em até cinco anos, em todo o país.
A Justiça considerou este argumento e acrescentou que o direito à ampla defesa de todos os interessados na questão (estado, municípios e terceiros) não foi desrespeitado. “O processo de demarcação, desde o seu início, pode e deve ser acompanhado por todos os interessados, não havendo prazo estabelecido para tal oportunidade (...). O autor não trouxe provas da violação a essa oportunidade ou direito. (...)Assim, não há falar em descumprimento do contraditório e da ampla defesa”.
Aquidauana News
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Governo de Mato Grosso atende reivindicações de povos indígenas
Da Redação
A criação da Federação dos Povos e Organizações Indígenas no Estado de Mato Grosso já apresenta bons resultados. Em reunião inédita concluída na quarta-feira (07.07) no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, lideranças de oito povos indígenas agradeceram a parceria do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Casa Civil.
Com a finalidade de estreitar as relações, durante dois dias cerca de 50 pessoas trataram de vários assuntos ligados à população indígena estadual. O resultado foi uma ata de reivindicações entregue ao secretário-chefe da Casa Civil, Eder Moraes, que representou o governador Silval Barbosa no encerramento do evento.
Dentre as principais solicitações, Moraes se comprometeu em intermediar junto à Secretaria de Infraestrutura para recuperação da estrada do Kapoto, que dá acesso as aldeias indígenas, bem como à Secretaria de Meio Ambiente, para fiscalizar a pesca predatória no Rio Xingu.
O secretário da Casa Civil falou que a pauta de reivindicações será tratada pelo Governo do Estado com a maior seriedade possível. Ele alertou para a importância do fortalecimento das lideranças indígenas com seus povos, e ao mesmo tempo constitucionalmente, evitando-se atravessadores, cujas intenções nem sempre configuram os interesses dos povos indígenas. “O governador Silval Barbosa quer o estreitamento e o fortalecimento da relação Estado e povo indígena, sobretudo da relação de confiança entre o chefe do Poder Executivo e os líderes indígenas”, reforçou Eder Moraes.
Segundo o Cacique Domingos Xavante, os indígenas gostam de autoridade que ajuda e atende. “Estamos começando a encontrar o canal, com a criação da Federação dos Povos e Organizações Indígenas no Estado de Mato Grosso. Isso é motivo de muita felicidade para todos os índios”.
Mato Grosso convive com 42 povos indígenas. São povos como os Caiapós, Parecis, Bakairi, Xavantes, Yalapiti, entre outros. “Somos o único Estado do país com essa diversidade e precisamos aprender a conviver com isso, precisamos estar mais próximos desses povos da floresta e dividir conhecimentos diante de tanta diversidade”, concluiu o secretário da Casa Civil.
Para o tenente-coronel Alessandro Mariano Rodrigues, superintendente de Assuntos Indígenas, cuja Superintendência é subordinada a Casa Civil, o grande objetivo da reunião foi ouvir as necessidades dos povos indígenas e potencializar os projetos já existentes no governo”.
Para ele, o encontro dá continuidade ao processo de discussão e diálogo na busca da construção de alternativas de sustentabilidade desses povos. Estiveram presentes índios das etnias Bororo, Bakairi, Trumai, Juruna, Paresí, Xavante, Caipó e Umutina.
Também participaram da reunião representantes das diversas Secretarias do governo, como Meio Ambiente, Infraestrutura, Educação, Saúde e MT Regional, de acordo com as demandas apresentadas.
Fonte: O Documento
A criação da Federação dos Povos e Organizações Indígenas no Estado de Mato Grosso já apresenta bons resultados. Em reunião inédita concluída na quarta-feira (07.07) no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, lideranças de oito povos indígenas agradeceram a parceria do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Casa Civil.
Com a finalidade de estreitar as relações, durante dois dias cerca de 50 pessoas trataram de vários assuntos ligados à população indígena estadual. O resultado foi uma ata de reivindicações entregue ao secretário-chefe da Casa Civil, Eder Moraes, que representou o governador Silval Barbosa no encerramento do evento.
Dentre as principais solicitações, Moraes se comprometeu em intermediar junto à Secretaria de Infraestrutura para recuperação da estrada do Kapoto, que dá acesso as aldeias indígenas, bem como à Secretaria de Meio Ambiente, para fiscalizar a pesca predatória no Rio Xingu.
O secretário da Casa Civil falou que a pauta de reivindicações será tratada pelo Governo do Estado com a maior seriedade possível. Ele alertou para a importância do fortalecimento das lideranças indígenas com seus povos, e ao mesmo tempo constitucionalmente, evitando-se atravessadores, cujas intenções nem sempre configuram os interesses dos povos indígenas. “O governador Silval Barbosa quer o estreitamento e o fortalecimento da relação Estado e povo indígena, sobretudo da relação de confiança entre o chefe do Poder Executivo e os líderes indígenas”, reforçou Eder Moraes.
Segundo o Cacique Domingos Xavante, os indígenas gostam de autoridade que ajuda e atende. “Estamos começando a encontrar o canal, com a criação da Federação dos Povos e Organizações Indígenas no Estado de Mato Grosso. Isso é motivo de muita felicidade para todos os índios”.
Mato Grosso convive com 42 povos indígenas. São povos como os Caiapós, Parecis, Bakairi, Xavantes, Yalapiti, entre outros. “Somos o único Estado do país com essa diversidade e precisamos aprender a conviver com isso, precisamos estar mais próximos desses povos da floresta e dividir conhecimentos diante de tanta diversidade”, concluiu o secretário da Casa Civil.
Para o tenente-coronel Alessandro Mariano Rodrigues, superintendente de Assuntos Indígenas, cuja Superintendência é subordinada a Casa Civil, o grande objetivo da reunião foi ouvir as necessidades dos povos indígenas e potencializar os projetos já existentes no governo”.
Para ele, o encontro dá continuidade ao processo de discussão e diálogo na busca da construção de alternativas de sustentabilidade desses povos. Estiveram presentes índios das etnias Bororo, Bakairi, Trumai, Juruna, Paresí, Xavante, Caipó e Umutina.
Também participaram da reunião representantes das diversas Secretarias do governo, como Meio Ambiente, Infraestrutura, Educação, Saúde e MT Regional, de acordo com as demandas apresentadas.
Fonte: O Documento
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